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Facebook anuncia investimento em veículos e órgãos de imprensa brasileiros

O Facebook anunciou nesta quinta-feira (16) acordos comerciais de três anos sendo fechados com 20 organizações de notícias. O valor total não foi divulgado, nem quanto cada grupo irá ganhar, mas Tilt apurou que este é o maior e mais abrangente acordo de licenciamento de conteúdo feito por plataformas com veículos de imprensa no país.
O anúncio faz parte do programa News Innovation Test (Teste de Inovação de Notícias, em tradução livre), uma tentativa de oferecer mais opções de links de notícias no Facebook. Estadão, Folha de S.Paulo, Grupo Abril, Grupo Bandeirantes, O Antagonista, Jovem Pan, Record, RedeTV!, SBT, Sistema Jornal do Commercio de Comunicação e UOL fazem parte do acordo.
O Facebook divulgou ainda que está trabalhando com a Ajor (Associação de Jornalismo Digital), a ANER (Associação Nacional de Editores de Revistas), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), que receberão US$ 2,6 milhões.
A medida pode ser interpretada como uma resposta à crescente pressão para que empresas de tecnologia, como Facebook (dono de Instagram e WhatsApp) e Google (dono do YouTube), paguem por abastecer seus feeds com notícias publicadas por veículos de jornalismo.
A discussão de regulação de grandes empresas de tecnologia foi desencadeada por uma lei australiana, aprovada em fevereiro, mas tem ocorrido em diversas partes do mundo. No caso do jornalismo, a crítica é que companhias como Google e Facebook detêm entre 70% e 80% das receitas de publicidade, enquanto o restante é disputado por todos os veículos de imprensa.
Sem um ecossistema jornalístico saudável, há ameaças à democracia e disseminação de notícias falsas, explica Marcelo Rech, presidente da ANJ. “As práticas de grandes plataformas têm levado a um enfraquecimento constante e até ao desaparecimento da imprensa profissional.”
Quando a Austrália avançava para aprovar a lei que obriga as plataformas de tecnologia a remunerarem os veículos de mídia, o Google ameaçou deixar o país e passou a exibir banners dizendo que os serviços grátis de busca estavam em risco e os dados das pessoas seriam compartilhados com as produtoras de conteúdo —o ACCC (Australian Competition and Consumer Commission), espécie de Cade local, respondeu que isso era desinformação.
Na época, a empresa alegava que já existia “uma troca substancial de valores nos dois sentidos” e a mídia obtinha muito mais benefícios do que gerava.
No Brasil, a postura não era diferente. Quando entidades do setor de comunicação pressionaram pela remuneração, o Google reagiu dizendo que isso seria “prejudicial ao combate à desinformação ao limitar acesso a uma variedade de fontes de informação”. E mais uma vez disse que os sites jornalísticos já tinham um “volume sem precedentes de leitores” que podiam ser monetizados por meio de anúncios.
Depois, passou a fechar acordos com os grandes grupos de mídia de vários países e fala em investir US$ 1 bilhão em notícias para o Destaque (News Showcase, em inglês) —a mídia é remunerada quando aparece nesta aba do app Google Notícias.
Já o Facebook, que desde 2018 investiu US$ 600 milhões para apoiar notícias ao redor do mundo, reagiu com um apagão de links noticiosos na Austrália, no início deste ano, ao ser pressionado pelo governo do país. Mas parece ter revisto a questão ao assumir um posicionamento global que promete investir até US$ 1 bilhão nos próximos três anos para a produção e impulsionamento do conteúdo de empresas de mídia ao redor do mundo.
Para Sydney Sanches, presidente da Comissão de Direitos Autorais da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), veículos de imprensa e plataformas precisam uns dos outros, por isso é natural que haja uma reorganização da relação entre as partes.
“Google e Facebook vivem da informação que os outros postam na internet e ganham dinheiro com isso. Então, tem de haver algum tipo de contrapartida. Isso aconteceu no passado com a música digital, logo toda essa movimentação é uma readequação ao tempo”, afirmou.

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