Festival do Rio volta presencial e tem na abertura o novo de Almodóvar

Último grande evento de cinema do ano, o Festival do Rio, que começa nesta quinta, 9, e rola até 19, será totalmente presencial. Em setembro, já houve uma edição especial da Première Brasil. Tradicional vitrine do cinema brasileiro, a Première volta em alto estilo, e como menina dos olhos do Festival do Rio de 2021, mas haverá também uma edição do Panorama Internacional com atrações para cinéfilo nenhum botar defeito. As galas, nacionais e estrangeiras, ocorrerão no Cine Lagoon. As demais sessões serão realizadas em mais quatro salas. Estação Net Gávea 5, Botafogo 1 e Rio, e o Reserva Cultural de Niterói. A programação poderá ser seguida nas redes sociais – Instagram e Twitter.
Tudo está mais compacto, mas se há uma coisa que não vai faltar é qualidade nessa rigorosa seleção de títulos. Em 2019, o festival só ocorreu por causa do crowdfunding. Ilda Santiago, diretora artística: “Quando penso naquela avalanche de apoio é emocionante. Não sabíamos o que estava para acontecer no planeta. Durante todo o ano de 2020 não paramos de pensar quais seriam as saídas – financeira, sanitária e estrutural – que permitiriam ao festival voltar. Temos agora a imensa sorte de ter um prefeito ligado à cidade, à cultura e ao Festival do Rio, e isso faz toda a diferença”.
Para a inauguração desta noite foi escolhido o novo Almodóvar, Madres Paralelas, que valeu a Penélope Cruz o prêmio de melhor atriz no recente Festival de Veneza. Na Espanha, Madres teve a quarta pior bilheteria de toda a carreira do autor. Na França, inversamente, Madres alinha-se com Volver, também com Penélope, como a maior bilheteria do grande diretor. Há expectativa quanto ao Oscar – a Academia de Hollywood adora Pedro Almodóvar.
Basta lembrar de Tudo Sobre Minha Mãe – a maternidade é tema essencial nos filmes dele. Aqui, encontram-se num hospital, em trabalho de parto, duas mulheres. Penélope quer esse bebê. Milena Smit é pouco mais do que uma garota. Está assustada quanto ao presente, e ao futuro. A par do Almodóvar, o Panorama contempla Titane, de Julia Ducournau que venceu a Palma de Ouro, e os paulistanos já viram na Mostra. Dois outros destaques estiveram no Mix Brasil – Benedetta, de Paul Verhoeven, e o excepcional A Fratura, de Catherine Corsini, espécie de Sob Pressão à francesa, que venceu a Palme Queer. E tem também Ryusuke Hamaguchi (Drive My Car), dois novos filmes de Hong Sang-soo (A Mulher Que Fugiu e Encontros) – a essa altura ele já deve ter feito mais dois -, um Nanni Moretti (Tre Piani), um Woody Allen (O Festival do Amor), o poderoso Um Herói, de Asghar Farhadi, e a animação japonesa Belle, de Mamoru Hosoda.

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