São Patrício: a história real do santo que deu origem ao St. Patrick’s Day

O bebedor de cerveja mais atento já percebeu que, anualmente, diversos bares oferecem bebidas de cor verde e capricham na decoração, incluindo trevos de três folhas e outros apetrechos. Trata-se da festividade conhecida como “St. Patrick’s Day” – o dia de São Patrício – comemorada sempre no dia 17 de março.
Mas quem foi São Patrício? E qual é a relação do santo com a cerveja?
Patrício é um dos santos católicos mais antigos. Ele teria nascido por volta do ano 389, ou seja, final do século IV. Para se ter uma ideia, São Jorge, outro dos santos mais antigos, teria vivido “apenas” um século antes do patrono da Irlanda.
E, se Jorge tem a existência real como alvo de controvérsia, é natural pensar que Patrício possa passar pelo mesmo, certo? Não para Felipe Cosme Danião Sobrinho, padre e professor da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.
“Por ter sido bispo, é uma situação diferente de São Jorge, que foi um soldado em uma multidão. São Patrício fundou uma comunidade de fé, instalando o cristianismo na Irlanda. Existiu, mesmo. E é venerado por católicos e anglicanos”, cita.
“A figura de São Patrício tem relatos mais reais. Embora a gente tenha dificuldade para dizer exatamente onde nasceu, quem eram os pais, mas os relatos sobre a existências são mais fidedignos. A grande questão é exatamente essa: não temos tantos, mas existe, sim, uma certa certeza da existência dele”, conta Dayvid da Silva, padre e coordenador do curso de Teologia da PUC-SP.
A existência de Patrício, embora cercada de imprecisões históricas, naturais pelos séculos que separam a vida do religioso e os dias atuais, é plenamente comprovada além das tradições etílicas.
Embora seja fortemente associado à Irlanda, o possível local de nascimento do santo é em outro local: Banwen, no País de Gales, atualmente, parte do Reino Unido. A relação com a Irlanda aconteceria na adolescência do futuro santo.
De acordo com a história, aos 16 anos Patrício teria sido capturado por piratas irlandeses. Foi levado à ilha da Irlanda e escravizado durante seis anos, quando conseguiu fugir e retornar à Grã-Bretanha.
O período cativo teria sido fundamental para o desenvolvimento da fé do futuro santo. Tanto que ele voltaria à Irlanda, mas, desta vez, por vontade própria, com uma missão.
São Patrício sentiu um chamado de Deus para voltar à Irlanda. Diferentemente da primeira “jornada” em que foi escravo dos piratas, desta vez o religioso teria como função anunciar a palavra divina ao povo irlandês.
Para isso, Patrício passou uma temporada na França, onde estudou teologia em um mosteiro. A volta à Irlanda teria ocorrido por volta do ano de 432, já ordenado bispo.
Uma das marcas do trabalho de São Patrício foi utilizar o trevo, planta comum na ilha irlandesa, para explicar o conceito cristão de trindade – Deus pai, Deus filho e Deus Espírito Santo.
“São Patrício soube criar diálogo em um primeiro momento com a cultura celta e, a partir daí, fazendo uma evangelização com a vida da cruz, uma vida pobre e de muita solidariedade. Ele teve muito amor pelos pobres, foi um bispo servidor. Isso marcou as raízes cristãs na Irlanda”, aponta Damião Sobrinho.
Ao santo também é atribuída a expulsão de todas as cobras da Irlanda. Isso porque São Patrício é representado em diversas imagens esmagando serpentes com um cajado. A santidade de Patrício, porém, veio por outras razões.
“Geralmente a santidade de São Patrício é atribuída à pregação. Neste caso, à pregação da santíssima trindade e incentivo ao sacramento da confissão. Era um homem, pelo o que a gente sabe, que transformou a igreja e foi um grande incentivador da fé cristã, um apóstolo e pregador”, diz o professor Dayvid da Silva.
Tais atos tornaram São Patrício um santo popular na Irlanda, um país predominantemente católico há séculos. E a popularidade fez com que São Patrício ganhasse o mundo, literalmente, mesmo após a sua morte, em 17 de março de 461.
Com o passar do tempo, os irlandeses foram migrando para outros países. Não são poucas as famílias do país europeu que fincaram raízes nos Estados Unidos – a ponto de, nas ligas esportivas norte-americanas, algumas equipes homenagearem a tradição irlandesa.
E foi justamente nos Estados Unidos que a festa de São Patrício teria surgido. Os primeiros registros de comemoração do St. Patrick’s Day datam de 1601. No século 18, as festividades ganharam força em cidades grandes americanas como Boston e Nova York – até hoje, dois polos importantes da colônia irlandesa na América.
Em Nova York, inclusive, está a Catedral de São Patrício, uma imponente igreja que é a sede da arquidiocese da região, localizada em plena Quinta Avenida.
Na Irlanda, o 17 de março é feriado nacional. E dá-lhe festa.
“Virou uma festa popular. Era um dia em que as pessoas não tinham de se dedicar ao trabalho servil. Então as pessoas se encontravam e confraternizam, justamente porque eram dias dados ao trabalho. A relação da cerveja está na Irlanda. E lá é uma bebida comum”, explica o padre Felipe Cosme Damião Sobrinho.

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