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Filme com Drauzio Varella mostra rotina de carcereiros em SP

Estreia nos cinemas nesta quinta-feira (26) o documentário Encarcerados, inspirado na famosa série de livros do médico Drauzio Varella. Apesar de chegar após o lançamento da ficção nos cinemas e da série com duas temporadas, o documentário foi a primeira obra produzida a partir do livro Carcereiros, publicado em 2012. Com direção de Claudia Calabi, Fernando Grostein e Pedro Bial, o filme traça um panorama do sistema prisional sob a perspectiva dos carcereiros e seus familiares.
“Carcereiros foi um livro escrito pela minha admiração por esses personagens. São caras que são jogados lá dentro por um salário medíocre, e que são cobrados para resolver problema, ou seja, manter aquelas pessoas indesejáveis trancadas para não atormentar a sociedade. E quando o Pedro [Bial] falou que queria filmá-lo, eu achei o máximo fazer um documentário sobre o livro”, conta Drauzio.
Gravado em oito penitenciárias de São Paulo, Encarcerados revela os elos entre o Estado e o crime, entre o exterior e o interior dos presídios, e aponta as principais falhas de um sistema que prende mais do que consegue suportar. Com imagens de arquivo, depoimento de especialistas e entrevistas com agentes penitenciários, ex-carcereiros e suas famílias, a obra escancara a realidade de um profissão que é muitas vezes ignorada e não recebe o suporte necessário do Estado.
“A cadeira não é feita apenas para punição, ela é feita para reabilitar. Eu acho importante a gente mostrar o dia a dia dos agentes penitenciários porque, assim, mostramos como o sistema atual não funciona. É um sistema que enxuga gelo ao tentar erradicar as drogas e prende mais do que a sua capacidade. Percebemos que existe uma tragédia social que está agravando o problema e precisa ser rediscutida”, aponta o diretor Fernando Grostein.
Para Bial, tanto o livro quanto o documentário são formas de trazer visibilidade para o tema, que já havia ganhado mais notoriedade no país com as produções ficcionais. “Estávamos ali como documentaristas, buscando contar a história dos agentes penitenciários de acordo com a visão deles. O filme dá essa chance de a gente colocar os pés nos sapatos dos outros e ver o mundo sob outro ponto de vista”, conta.
Encarcerados também aborda a questão do crescimento do crime organizado no Brasil e o surgimento do PCC em São Paulo, que mudou a rotina dos presídios e trouxe ordem e disciplina para as cadeias. Segundo Drauzio, o massacre dos 111 no Carandiru foi o pontapé inicial para que os presos se organizassem.
“A nova geração do PCC entendeu que por meio do diálogo você consegue resolver a maioria dos problemas de um jeito mais simples. Então essa facção tomou o poder nas cadeias, o que trouxe aspectos negativos e também positivos. Eles acabaram, por exemplo, com o crack dentro das prisões, com a violência interna e com as fugas. Se o Estado não consegue controlar uma cadeia que tem o dobro ou o triplo da sua lotação, esse poder será estabelecido por outras pessoas”, explica.

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